sexta-feira, 6 de junho de 2014

GERAÇÃO 85

Meu sangue corre numa velocidade incalculável
Enquanto permaneço frágil, estável, inabalável
Pernas balançam impulsionadas por um motor imortal
Olhos arregalam muito diante de quase sempre nada
Boca procura os dedos e os dentes as unhas
Nariz imóvel e super presente
Movimento tímido de curtos ombros
Palavras cortadas
Muitos assombros
Ouvidos atentos
Medo de novos tombos
Tento inventar contos
Acabo pelos cantos da mentira
Busco falsa explicação
Interrompo a razão
Aumento a interrogante interrogação
Que a geração carrega
Que as gerações carregarão.
(1985)

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